
Hj fiz uma descoberta sobre mim.
Quisera todos os dias fossem assim.
Descobri que não tenho problema com os poetas
Tenho problema com os que "usam" a poesia
Marcelinho uma vez me falou:
Celo:
Meu avô era fantástico, sabe pq? Pq ele não fingia ser nada além do que era!O Avô do Marcelinho era o matreiro
Pantera, lenda da sinuca e do bom viver!
Hj, finalmente, conheci um outro avô.
Sua obra e sua mais que profunda sensibilidade
José Maria Nunes MarquesEu o apelidei de "poeta do fim do dia", pois seu lirismo tem quase sempre esta paisagem
Sempre descrita e re-escrita em novas cores entre o pôr do Sol e o rasgar da Noite.
Os poemas deste homem mexeram comigo como a muito não acontecia.
E o primeiro motivo é o que remonta este post.
Já no "prólogo", a descoberta.
Não foi José Maria quem publicou seus poemas.
Sua esposa,
Zélia Caribé Nunes Marques, foi quem compilou a obra de uma vida inteira
(Poesia datada desde 1952)
Perdão, vou surrupiar os dados de sua biografia para lhes contar o mais importante para mim.
Acredito mesmo, que este homem jamais tentou lucrar ou ludibriar as pessoas com suas letras.
Diferente dos tantos outros sanguessugas da mesmice e exibicionistas que vagam por aí.
Eu não sei vcs, mas qdo descubro algo/alguém assim, fico feliz e embasbacado.
Poemas guardados numa escrivaninha...
Não por que seu autor os acredita desinteressantes ou teme sua repercussão.
Acho que vai muito além disso.
Vai de encontro à sua vontade auscultadora do mundo, observador que indaga e basta.
Lendo o seu livro (
O EU LÍRICO) descobri um artesão.
Aquele que transmutava sentimentos e a vida em verso só pelo prazer de fazer...
Um senhor que É EXATAMENTE O QUE É!
Nem uma gota a mais, nem um suspiro a menos.
Oxalá que no fim da vida eu possa olhar no espelho e me enxergar assim...
Estará de bom tamanho e serei feliz.
EU SOUJosé Maria Nunes Marques
Por que Não?Eu quero ser tudo que é.
Quero ser vida, amor, intensidade, luz, harmonia
Quero ser tudo que é.
Quero ser o inesgotável, o inexaurível porque eu sou tudo.
Sou a eternidade das coisas
A perpetuidade dos momentos
Sou a terra que se agita sempre
As árvores bracejantes que explodem incontidas em novos ramos verdes.
Eu sou a pura harmonia das alvoradas e a nostalgia celeste dos crepúsculos .
Sou cada uma e todas as estrelas que a noite acende.
Eu sou a noite
Meu sangue é a vida da terra
Minha vida a própria terraEu sou tudo...
Que sou eu, Senhor?!Feira de Santana, 13 de Fevereiro de 1956